Observação: Nesta categoria Experimental, "O QUE SERÁ?" eu coloco o título no final do poema, provocando o leitor a identificar a que estou me referindo no decorrer da leitura. No final tem uma surpresa para o leitor, uma ilustração de minha autoria, em que exploro a ilusão de ótica, proporcionando ao observador uma experiência visual única e provocativa, muitas vezes desafiando a realidade prática, uma vez que é possível apenas em duas dimensões da tela.
Inerte, soturna e solitária.
Presente em todos os momentos.
Na rotina das refeições, nas celebrações,
Momentos especiais e sagrados.
Se comemos, bebemos, conversamos,
Assinamos contratos ou nos reunimos em família,
Sem ela o que faríamos?
Nela confessamos os nossos perversos pecados.
Guardiã silenciosa dos segredos mais profundos.
Testemunha de confidências,
Pedidos, acordos, desacordos, promessas e juras.
Declarações, choros, risos, afetos e desafetos.
Suporta socos, pancadas e ponta pés,
Mas também recebe as lágrimas das emoções,
E também os melhores aromas.
Seu corpo guarda silenciosamente as marcas do tempo,
Até de palanque já serviu,
Para os que querem proclamar algo.
Seja nas mais luxuosas mansões do mundo,
Até a mais simples choupanas, ela sempre está ali.
Esteve presente na ceia de Jesus.
Jamais reagirá a qualquer ataque.
Extrair dela qualquer confissão,
Mesmo buscando o ângulo mais perspicaz,
Seria em vão, pois ela jamais revelará.
Ela é a confidente leal
A MESA
Autor da gravura: Walter Figueiredo