Tributo ao Nosso Herói Esquecido
Em um país de dimensões continentais como o Brasil, temos inúmeros heróis, mas poucos são lembrados como deveriam. Entre tantos nomes grandiosos, quero destacar um que marcou minha juventude e que, lamentavelmente, o nosso povo, parece ter sido esquecido: Emerson Fittipaldi.
Foi em um domingo de 1972 que minha admiração por ele nasceu. Eu tinha 12 anos e estava na casa do meu tio para o almoço. A televisão foi ligada, e ali, diante da tela em preto e branco cheia de chuviscos, me deparei com algo que mudaria minha percepção sobre o esporte: uma corrida de Fórmula 1 transmitida diretamente de Monza, na Itália. Era para mim, algo novo e fascinante. Aqueles carros disputando posições em alta velocidade me prenderam completamente. Mais tarde, soube que Emerson conquistava ali seu segundo título mundial. E mais emocionante ainda: seu pai, Barão Fittipaldi, estava na cabine de transmissão narrando a histórica conquista do filho.
O Brasil via nascer um gênio das pistas.
Antes de chegar ao topo, Emerson Fittipaldi já trilhava um caminho de sucessos. Inspirado em Chico Landi, pioneiro do automobilismo nacional, iniciou sua trajetória como mecânico do irmão mais velho, Wilson Fittipaldi, e de outro grande nome da F1, José Carlos Pace, o "Moco", tragicamente falecido em um acidente aéreo. Em 1967, Emerson, para os íntimos, conhecido como "Ratão", conquistou o campeonato da Fórmula VEE e, no mesmo ano, venceu as Seis Horas de Interlagos pilotando um Volkswagen Karmann Ghia. Aos 21 anos, já era campeão brasileiro.
A escalada foi rápida: na Europa, brilhou na Fórmula Ford e, depois, na F3, onde venceu nove corridas pilotando a Lotus 59. Em 1969, chegou à F2 pela Lotus Bardahl e subiu ao pódio quatro vezes. Seu talento logo chamou a atenção da F1. Em apenas cinco provas, Fittipaldi já era o piloto número um da lendária Lotus. No GP dos EUA, superou todas as expectativas e venceu sua primeira corrida na categoria máxima do automobilismo.
Em 1972, o auge: cinco vitórias em onze corridas e o título de campeão mundial, tornando-se o mais jovem da história a conquistar tal feito, aos 25 anos. E não parou por aí. Deixou a Lotus para se juntar à McLaren, uma equipe ainda emergente, onde conquistou mais três vitórias e superou Clay Regazzoni, garantindo o bicampeonato em 1974. No ano seguinte, terminou o campeonato em segundo, sendo derrotado por Niki Lauda.
Em 1976, no auge da carreira, tomou uma decisão ousada: deixou a F1 para apostar na única equipe brasileira da história da categoria, a Fittipaldi Automotive, conhecida como Copersucar Fittipaldi. Infelizmente, em um país que tem dificuldade em valorizar seus próprios talentos, o projeto não recebeu o apoio necessário e não prosperou. Aos 33 anos, Emerson se afastou da F1.
Mas não por muito tempo. Nos Estados Unidos, reinventou sua carreira. Na IndyCar, brilhou mais uma vez. Em 1989, venceu as 500 Milhas de Indianápolis, liderando impressionantes 158 das 200 voltas. Uma polêmica curiosa surgiu: a tradição mandava que o vencedor bebesse leite, mas Emerson, dono de um vasto laranjal no interior de São Paulo, optou por suco de laranja para promover a indústria brasileira. A atitude não foi bem recebida pelos puristas da Indy, mas marcou sua personalidade. Competiu até 1996, quando um acidente no Michigan International Speedway encerrou sua carreira como piloto. Com 22 vitórias na IndyCar, consolidou-se como um dos raríssimos pilotos a triunfar em alto nível tanto na F1 quanto na Indy.
Foi incluído no Hall da Fama do Automobilismo Americano em 2001 e no Hall da Fama de Indianápolis em 2004. Criou seu próprio carro, o Fittipaldi EF7, projetado pela Pininfarina. E sua paixão pelo automobilismo segue viva no talento do filho Emmo Jr, que carrega o legado do sobrenome e o vejo como uma grande promessa da F1.
Amigo próximo do saudoso George Harrison, um dos Beatles, chegou a ser homenageado pelo músico com uma canção. No mundo todo, Emerson Fittipaldi é reverenciado como um dos maiores nomes do automobilismo. E no Brasil? Aqui, poucos se lembram dele.
É triste perceber como nosso país esquece aqueles que levaram o nome do Brasil ao topo. Não falo apenas de Emerson, mas de tantos outros grandes personagens que são valorizados lá fora, são aplaudidos de pé, homenageados e recebidos com muita honra, e aqui em nosso país, repousam no panteão do esquecimento. O que nos falta para reconhecer e celebrar os heróis que abriram caminho para futuras gerações?
E como não falar do nosso querido Alex Dias Ribeiro, que com pouco dinheiro, e sem grandes patrocinadores conseguiu entrar na F1. Foi duas vezes vice-campeão inglês de Fórmula 3, ganhou diversos títulos individuais, sendo os principais: Número um no ranking dos pilotos brasileiros em 1973, Prêmio Victor de 1968 como piloto revelação do ano de 1967 da história corrida dos 500km de Brasília, no ano de 1967 com a equipe Camber, com um carro protótipo, construído a partir dos restos do fusca acidentado de seu pai, apelidado de "Patinho Feio" pela imprensa local, a oficina e equipe Camber fundada por Alex teve destaque nacional, e por lá se formaram três pilotos para a Fórmula 1: Alex Ribeiro, Nelson Piquet e Roberto Pupo Moreno. Disputou dez corridas entre 1976, 1977 e 1979, com as equipes Hesketch, March Engineering e Equipe Fittipaldi. Além de seus patrocinadores pessoais, estampou a frase “Jesus Salva” nos seus carros como forma de espalhar sua mensagem ao redor do mundo.
Que este texto seja um lembrete: o Brasil tem campeões, e eles merecem ser lembrados.
Deus criou os heróis, para inspirar gerações. Em Mateus 5:16, Jesus diz: "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".
De Walter Rocha de Figueiredo - fev/2025