Gratidão
Ser grato é elevar o espírito ao reconhecimento,
Um tributo silencioso à vida que pulsa em nós.
Respiramos, existimos – eis a primeira dádiva.
A vida é um sopro do Eterno,
Que, em sua benevolência, nos concedeu o ser.
A gratidão é semente fecunda,
Plantada no solo da consciência,
Regada pelas palavras que brotam dos lábios.
E colhe-se, em seu tempo, nos dias de paz,
No brilho sereno de cada instante de alegria.
Ao coração do Eterno, a gratidão é oferta sublime,
E, em tempos de aflição, retorna como alento,
Um bálsamo que suaviza as dores,
Um eco de socorro que dissipa as sombras,
Um escudo invisível contra os males do caminho.
A gratidão ensina a arte do contentamento,
A encontrar plenitude no que se tem,
Sem se perder na angústia do que falta.
A ingratidão, ao contrário, fere a alma,
Gera insatisfação e obscurece a alegria.
O ingrato vive aprisionado no lamento,
Incapaz de perceber o valor do instante.
Não semeia esperanças, exige colheitas precoces,
E, em sua impaciência, asfixia quem está por perto,
Espalhando aridez onde poderia haver flor.
Que sementes lanças ao solo da vida?
Gratidão ou indiferença?
Ansiarás por dias plenos e cheios de luz,
Ou te renderás à esterilidade de uma existência vazia?
Nada do que possuímos é fruto exclusivo de nosso mérito,
Pois tudo procede das mãos do Eterno.
A Ele devemos cada suspiro de gratidão.
O sol se levanta para todos,
Mas só os gratos reconhecem sua luz como benção.
Ao Eterno rendamos sempre louvores de gratidão.