Senhor Gentileza
— Olá, venho de bem longe,
Em busca dos meus sonhos.
A cidade é imensa,
Não sei por onde começar, jamais.
— É muito simples, diga-me quanto tens,
Posso te guiar por alguns vinténs.
A lugares para iniciar,
Teu sonho realizar.
— Como saber se és de confiança?
Sem me conhecer, me pede fiança?
E que caminhos me levarás,
Sem antes me contar?
— Só quero, de fato, ajudar,
Sem nada em troca pegar.
Dar-te um rumo, uma direção,
Pra não perderes a ocasião.
— Mas, antes, vamos conversar,
Quem és? A que vieste, afinal?
Quero saber se és do bem,
Assim podemos ir além.
— Ah sim, és prudente,
Pareces boa gente.
Vou te contar quem sou eu,
Verás que não sou plebeu.
— Então, me conta,
Não me esconda,
Quero saber teus prós e contras,
Tuas luzes e tuas sombras.
— Também, como tu, aqui cheguei.
Por trilhas que hoje nem sei.
Não sei se foram reais,
Ou cenas de sonhos irreais.
— Entendo... sofrestes nessa jornada,
Com alma cansada e esperança pesada.
Mas, pra que tanto sofrimento?
Cortar caminho é mais rendimento.
— Mas pra alcançar o que hoje tenho,
Suor e dor o tempo me deu.
Lutei em dias tão ferrenhos...
E agradeço aos céus tudo que tenho.
— Era disso que eu falava.
Tua história longa me agradava.
Agora entrega-me tudo que tens,
E não me sonegues nenhum vintém.
— O que é isso? Parecias tão gentil!
Me pediste provas de confiança mil,
De ti nada pedi,
E tudo levas com tanto ardil.
— Me disfarço como um Senhor Gentileza.
Ela ofusca minha malvadeza.
Peço confiança, sorrindo à esperança.
E apago, com charme, tua desconfiança.
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