Fanfarrão e o Spinning
A Vontade em dissonância com Realidade.
VERSÃO DO PESSOAL DA ZOEIRA...
A sauna do clube, aquele templo de suor, fofocas e filosofias à nababescas, estava em polvorosa. O assunto do dia, claro, era a epopeia do Fanfarrão. Com seus 65 aninhos, figura que desafia as leis da aerodinâmica, havia sido lançado ao abismo do spinning por ninguém menos que o Coronel e o Indiana Jones. Uma implícita aposta, a honra, ou talvez a simples teimosia, o impulsionaram para a sala de tortura de bicicletas estáticas.
O Fanfarrão, que de fanfarrão não tinha só o nome, mas também a alma, entrou na sala com a pose de quem ia pedalar até o Alasca. Olhou para as moças, todas elas girando as pernas com a desenvoltura de bailarinas e a velocidade de um trem-bala. A adrenalina deve ter corrido souto. "Ah, moleza!", deve ter pensado ele, com seu sorriso maroto. Erro crasso.
A ambição de acompanhar o ritmo alucinante das beldades logo se chocou com a dura realidade da física e da fisiologia. O corpo do Fanfarrão, acostumado mais ao ritmo lento da digestão de quibes, coxinhas e feijoadas do que à velocidade de pedaladas frenéticas, simplesmente não respondia. E para piorar a situação, observado e comentado no vapor da comunidade pelo nosso persona Luisinho, uma crise existencial dupla deve ter se instalado no dito-cujo: ele não sabia se focava nos glúteos das mulheres, que parecia um ímã irresistível, ou na dor lancinante que vinha de suas hemorroidas, que para seu infortúnio, pulsava em sincronia com cada subida e descida da bicicleta.
Continuou Luisinho: A excitação descia na velocidade que a hemorroida crescia, e o resultado foi uma sinfonia de dor e desorientação. O pobre Fanfarrão sentiu-se a pior das criaturas. O esforço sobre-humano, somado ao dilema proctológico, cobrou seu preço. A conta chegou. O suor escorria em rios, a visão embaçava, e a respiração virou um chiado preocupante, e o xixi que mais parecia uma Coca-Cola comprada no bar do Juca Breve.
O clímax da desgraça deve ter vindo no banheiro, onde, para seu horror, o xixi saiu preto. Sim, preto! Sinal inequívoco de que os limites da aventura fitness haviam sido tragicamente ultrapassados. Da sala de spinning para o pronto-socorro, e do pronto-socorro para uma internação. O Fanfarrão, o homem que se gabava de qualquer coisa, agora tinha uma nova história para contar, mas desta vez, com um final bem menos glorioso.
Ontem, na sauna, o cheiro de sarcasmo era tão denso quanto o vapor. O Italiano, o Japa, o Coronel, o Indiana Jones, o Cara de Sono, o CEO do Agro, o Português, o persona Luisinho, O Deus Ébano – a gangue completa estava lá, cada um com sua pérola de sabedoria tardia. "Mas o Fanfarrão, poxa vida! Aos 65 anos, querer competir com a molecada no spinning? Tem que saber o seu lugar!", disse o Japa, com a seriedade de um samurai, seguindo com um retumbante sim por todos. O Português, balançando a cabeça, acrescentou: "Um homem da idade dele tem que saber se comportar! Não é qualquer competição que serve, não!".
O Fanfarrão, quando voltar ao vapor da união, que ainda deve estar em recuperação, fisiológica, emocional, do vexame e da internação, provavelmente está repensando suas prioridades de vida.
Talvez agora ele entenda que o verdadeiro desafio é aceitar os limites da idade, e que a velocidade da bicicleta nem sempre é tão importante quanto o bem-estar da hemorroida, ressaltado pelo persona Luizinho.
Enquanto a sessão de "zoeira" seguia animada no vapor, todos aguardavam a chegada do Dr. Kauan. Ah, o Dr. Kauan! Conhecido na sauna como o Senhor da UTI, muito esperado nos momentos de perrengues fisiológicos. É a figura médica de plantão para todas as "consultas 0800" da turma. Desde dor de cabeça até dúvidas existenciais sobre a validade do suco detox, tudo é questionado ao doutor. E neste dia, a expectativa era ainda maior: todos queriam o veredito oficial sobre o misterioso e assustador xixi preto do Fanfarrão. A bola estava com o Senhor da UTI para desvendar o enigma urológico daquele que ousou desafiar os limites do spinning, ao terminar a sua explicação e abordagem sobre o atual tema, todos reafirmaram em alto e bom som. Esse se não aprendeu a lição não come panetone no final do ano...
Apesar de ter passado os limites da estripulia, estamos contentes porque ele ainda esta entre nós. Vamos aguardar a chegada do Fanfarrão para nos contar sua versão com mais detalhes.
Será que essa lição servirá para o Fanfarrão, ou ele já está pensando na próxima "façanha" para impressionar a galera da sauna? Aguardem as imaginativas cenas dos próximos episódios...
VERSÃO DO FANFARRÃO
O ar da sauna ainda estava denso com o aroma de suor e deboche, mas o Fanfarrão, milagrosamente restabelecido e com o semblante do típico comedor de coxinhas, quibes, hambúrgueres e toda a sorte de salgadinhos, já estava lá para contar a sua versão dos fatos. Uma versão que, segundo ele, superava qualquer ficção.
"Olha, foi assim", começou o Fanfarrão, a voz embargada pela emoção e talvez por um resto de fôlego do spinning da última sexta-feira. "Eu spinnnei, sim. E depois daquela sessão infernal, cheguei na sauna arfando, botando os bofes pra fora, e a galera de plantão me olhando, claro." Até aí, a história batia. O que veio a seguir, porém, elevou a narrativa a outro patamar.
"Cheguei em casa", continuou ele, com um brilho insólito nos olhos, "e ao passar pela cozinha, vi minha amada com uma saia bem curtinha. E nesse instante lancinante, algo me atingiu, me deixou num grau de excitação... um reconhecimento mais que bíblico, algo animalesco que brotava do mais íntimo do meu ser!" A plateia da sauna, já acostumada às divagações do Fanfarrão, ergueu as sobrancelhas em uníssono. "Resumindo", ele concluiu, num tom quase poético, "o êxtase durou por volta de umas três a quatro horas!" Houve um breve silêncio, seguido por alguns pigarros e olhares cúmplices. Uma "spinnada" e uma pimb... é isso mesmo? Alguém murmurou: "Acho que ele sonhou, e vocês?" O sorriso amarelo do Fanfarrão deu a entender que, para ele, a realidade tinha sido bem mais vibrante.
A apoteose da noite, porém, chegou de madrugada. "Fui ao banheiro", ele narrou, o tremor voltando à sua voz, "e percebi que meu xixi estava mais preto que carvão! Aí a tremedeira veio forte. Mal consegui falar, mas chamei o SAMU!" Toda a vizinhança foi alertada pelo alvoroço, e alguns vizinhos, numa demonstração de "afeto" digna de nota, soltaram até fogos de artifício. Que vizinhança fofa, realmente.
No hospital, a cena era igualmente surreal. Era sábado, e ninguém é de ferro, nem mesmo os "artífices da saúde". A festança ainda rolava solta pelos corredores.
"O que o senhor veio fazer aqui?", perguntou um médico. Fanfarrão, balbuciando, contou toda a história. "Ah, entendi", disse o médico, com um aceno de cabeça. "O senhor foi espetado por um espinho, depois comeu rabada um pouquinho preta e começou a tremer e veio para cá."
Nesse momento, o plantão trocou. O novo médico, finalmente desvendou o mal do Fanfarrão. Uma injeção na barriga, e seus sentidos foram voltando ao normal. Já tranquilo na UTI, ele conversou com seus vizinhos de leito: o Senhor Juca, o Senhor Alcenor, o Senhor Guilhermon.
Por seu estado estranho, suspeitando de algo mais comprometedor, acharam que fosse uma doença infecciosa, e o colocam num isolamento. Ele se sentiu o próprio ET, pois no isolamento toda a equipe médica entra como se fossem astronautas, deixando o Fanfarrão cada vez mais assustado.
Nos dias subsequentes, o Fanfarrão perguntou pelo Senhor Juca. Nesse exato momento, uma maca com o corpo coberto passava pelo corredor, e o enfermeiro disse, indiferente: "É esse que vai indo ali." Fanfarrão ficou assustado. E assim, a cada dia, um de seus vizinhos passava por ali nos mesmos moldes, como se despedindo. Isso o deixou aterrorizado, pensando: "Será que o próximo pode ser eu?"
Depois de quase uma semana internado, chegou a hora de ir embora. O médico lhe deu as receitas e os procedimentos da dieta: sem spinning, sem coxinhas, salgadinhos e "outras coisas mais". Sua esposa ligou perguntando a que horas poderia buscá-lo, mas ele, com um tom misterioso, disse que não precisava, que ele mesmo se encarregaria de chegar em casa. Foi despejado na calçada através de uma cadeira de roda. Chamou um Uber.
Ninguém esperava o que ainda estava por vir. Ele saiu do hospital de Uber e foi direto para a padaria. Lá, chamou o chapeiro de lado e declarou: "Estou há seis dias sem comer direito. Faça um misto quente com várias camadas de queijo, presunto, bacon, tomate e outros 'breguetes' mais!" Comeu como se não houvesse amanhã. Não satisfeito, pediu mais um exemplar do sanduíche e foi satisfeito para sua casa.
Esse é o Fanfarrão, que não aprendeu a lição. E aqui terminam suas peripécias... por enquanto. Mas agora, queremos saber a versão da sua amada Fanfarrona. Diga pra nós...
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