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Mais um niver do Fanfarrão

 

Mais uma vez, a "Confraria do Suor " – também conhecida como a nossa gangue da sauna – se reuniu. O motivo? O aniversário do Fanfarrão. Mas antes de jogarmos a toalha no vapor, é preciso voltar no tempo realizar um flashback.

 

Nos tempos de caserna, servimos juntos, mas em alas opostas. Eu, sob a tutela de um sargento gente boa, e o Fanfarrão com um sargento um tanto autoritário que a cada ordem parecia que ele ia explodir. Era o tipo de sargento que, com uma seriedade digna de Oscar, ensinou que o fuzil FAL 7,62mm era a "namorada" do soldado. "Passem o dedo nas entranhas dela", dizia ele, em um ritual tão bizarro que parecia a cena de um filme de terror romântico.

 

E que "namorada"! Era tão bela que, se você apontava para o alvo inimigo pensando no sargento, acertava a estaca do acampamento. No nosso famoso treino de tiro no CTA, a ordem era clara: "Se a arma falhar, joga no chão e chama o sargento! Jamais saiam apontando para o mundo, seus idiotas!". Dito e feito: a arma de um soldado à minha frente falhou. O que ele fez? Exatamente o que o sargento disse para NÃO fazer.

 

O sargento, uma figura que era 50% raiva e 50% pura cólera, avançou no coitado como um Pitbull que acabou de perder a ração. Tentamos apartar a briga, mas era impossível. O sargento havia “travado a mandíbula no pescoço do sujeito”. Por um instante, pensei que o coitado não comeria mais panetone nos Natais futuros. Mas, felizmente, conseguimos separar os dois. O soldado prometeu nunca mais apontar a namorada para ninguém.

Não podemos nos esquecer da marcha dos 32km que com coturno, com arma em punho, cantávamos... hare, hare, hare rê, formiguinha cabeçuda quando morde é pra valer... e assim se repetia como um mantra para tirar a atenção do cansaço físico.

 

As histórias do quartel são infinitas. O Fanfarrão, diz que, como cabo, animava a guarda noturna com "alguns becks". Não podemos esquecer de "las chicas do Batalhão", que aqueciam as noites frias de guarda de final de semana. Às vezes, éramos surpreendidos por sargentos bêbados, expulsos de suas casas, que chegavam para nos fazer companhia.

 

Quando chegou o grande dia, finalmente, o dia da baixa, a companhia inteira foi comemorar. O centro da cidade se tornou nosso parque de diversões. Entramos de coturno e gandola na fonte d'água em frente à Matriz, achando que éramos a reencarnação do Pelotão de Elite. Dali, a festa seguiu para a Avenida do Banhado, onde o Fanfarrão foi cimentado para sempre. A comemoração continuou, e eu fiquei por ali. Me contaram que perto da curva do S, um infeliz com seu carro resolveu cruzar o caminho do Jipe abarrotado de soldados mamados e alegres. O sujeito, um verdadeiro "insensato", quis mostrar autoridade e acabar com a alegria da rapaziada com palavras ameaçadoras. Ele, só não contava com um soldado disposto a quebrar essa autoridade. De repente, o Fanfarrão sai do jipe, aplica um gancho de esquerda no sujeito e o manda direto para a lona, digo: o asfalto.

 

Resumo da ópera: o sujeito era um tenente da aeronáutica. E, como diria o ditado, "quem bate em tenente, dorme na cadeia". A rapaziada inteira foi parar no xadrez.

 

No dia seguinte, fomos convocados para estar no batalhão mesmo tendo dado baixa, para o reconhecimento do agressor. O tenente nos analisou, parecendo um juiz de concurso de miss. Eis que surge o General. E, para surpresa de todos, o General deu um esporro no tenente! "Que palhaçada é essa?! Os rapazes estavam apenas comemorando, e você, com seu orgulho ferido, abusou da autoridade! Agora, sumam daqui, e vocês sargentos, cometeram uma infração, jamais poderiam convocar esses soldados uma vez que já haviam dado baixa. Tenho coisas mais importantes para fazer do que cuidar do ego de um tenente chorão!" Ouvindo isso, essa rapaziada do Jipe, saiu de lá comemorando, já procurando o carro do tenente para dar um "trato".

 

 

Dentre tantas façanhas, o Fanfarrão, se orgulha de ter sido figurante no filme "Jeca e seu filho Preto". Ele também já trabalhou como vendedor de carros e, hoje, como advogado, ganha a vida soltando bandidos, para manter sua nobre gula por coxinhas, kibes, pão com linguiça, hambúrguer e outras "podridões".

 

E voltando ao vapor... O pessoal queria fazer uma surpresa para o Fanfarrão. Ele, espertamente, desconfiou de algo quando viu o Zé Gordinho no bar do Paulinho, um lugar que o Zé Gordinho só frequenta em festividades. O Zé Boiadeiro ainda tentou uma desculpa esfarrapada, disse: "O Zé Gordinho queria comprar o bar!". Fanfarrão não engoliu.

 

Demos início as comemorações, com muito frango a passarinho, tulipinhas e mandioca frita. Agradecemos ao Zé Boiadeiro, que organizou tudo, ao Paulinho, que sempre nos serve com muita alegria e paciência, e a todos os amigos que participaram da homenagem ao Fanfarrão. Italiano não deixou passar em branco e se levantou para um discurso caloroso em homenagem ao Fanfarrão, ele que sempre organiza os nossos encontros nos almoços e nas festas. Sempre alegre, motiva a todos a se unirem.  Ele que também nos alegra com suas piadas, apesar de algumas repetidas, e histórias mirabolantes de comidas, diz que sempre tem um apetite voraz, incontrolável. Está em regime e disse em seis meses, conseguiu perder 100g. Uma vitória digna de celebração, não é mesmo?

 

Pedimos ao Eterno que continue o abençoando com muitos anos de vida e felicidade, e que possamos nos reunir novamente para celebrar a vida.

 

 

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"Que alegria ter sua companhia até a última linha! Espero genuinamente que esta leitura tenha ressoado em você. Deixe seu comentário no espaço abaixo — sua reflexão é fundamental para o meu constante amadurecimento como escritor."  

 

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WALTER FIGUEIREDO
Enviado por WALTER FIGUEIREDO em 23/08/2025
Alterado em 02/09/2026
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