O Embate das Sombras: Da Ansiedade à Confiança
"Não andeis ansiosos", diz o Verbo Eterno.
Mas a angústia chega, sem aviso terno,
Carcereira vil, faz da alma refém,
Na arena onde o medo e a fé se detêm.
O processo é orgânico, amargo e cruel,
A boca resseca em resquícios de fel.
Morfeu escafedeu-se, o repouso morreu,
E o sombrio Ícelo enfim prevaleceu.
Seu trote ressoa, triunfante e constante,
Sobre os súditos pálidos, de olhar ofegante.
Proclama o algoz: "Sou seu comandante,
O vosso tormento é meu gozo incessante!"
"Meu plano é discreto, semeio a incerteza,
A dúvida é o prato que adorna a mesa.
Labirintite, gastrites, o corpo se agonia,
Na insônia profunda que traz vagofonia."
"Eu te abato e te deixo de forças exausto,
Pois o teu raciocínio me seria nefasto.
Distrair-te é o meu vício, manter-te no chão,
Tua dúvida é o pão da minha nutrição."
Mas do Além surge um sopro, promessa e alforria:
"Não andeis inquietos!", a Voz anuncia.
"Lançai sobre Mim vossa dor e ansiedade,
Pois cuido de vós com total fidelidade."
Aos poucos, o brilho de uma nova esperança
Dissipa as brumas da desconfiança.
Lançou-me nos braços do Pai Eterno,
Banhado no bálsamo do Seu amor terno.
É Ele quem rege, quem cura e quem manda,
A fé é o cajado na tortuosa varanda.
Confiar é a entrega que o Céu faz valer:
Pois quem crê no Eterno, vê o sol renascer.
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