O Silêncio da Espera
Erguemos as mãos, eternos pedintes,
No vício de clamar sem nada ofertar.
"Por que o silêncio?", questionam os descrentes,
Enquanto se esquivam de agir e lutar.
A terra reclama, mas logo se esconde,
Sob o manto do "politicamente correto".
Disfarça o sangue, o mal não responde,
E nega aos seus filhos o pão e o teto.
"Oh, Céus! Por que Te calas agora?
Não vês a aflição que nos consome?"
Mas o vácuo do alto, na luz da aurora,
Ecoa um grito que acorda o homem:
"Não intervenho onde o braço alcança,
O que te cabe, cumpre com zelo.
Pois só desperto a Minha aliança,
Quando o impossível se torna o apelo."
Comentários: A fome se espalhou pelo Sudão e deve se expandir ainda mais. Os campos de refugiados e as comunidades deslocadas no país em guerra serão atingidas de forma ainda mais dura.
Esse poema é uma reflexão sobre a autorresponsabilidade e a linha tênue entre a fé e a inércia. A ideia de que o "silêncio" de Deus é, na verdade, um chamado à ação humana.
Por Walter Figueiredo 07 de março de 2016
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