Mataram A Dona Justiça?
Sonhei envolvido em calmaria,
Ao acordar, o sonho inda fluía.
Um grito agônico rompeu a escuridão,
Ecoando na noite, trazendo a aflição:
Era a Dona Justiça, em sua agonia,
Sendo violada por quem a protegia.
Na espessa névoa, surgem vultos e lamentos,
Personagens cruéis em vis movimentos.
"Ovi caput" deu-lhe um "mata leão",
"Bufo marinus" entalado em sua goela que traição.
"Asinus magnus" dá lhe um coice, em um golpe colérico.
Quem salvará a Dona Justiça nesse estado histérico?
Aos "diurnários", por anos avisado:
Dona Justiça definha em um leito isolado.
A propina era o nó que a calava no açoite,
Mas ela inda respirava no breu desta noite.
Quem poderá socorrê-la desse mal estar?
Se quem devia cuidar, tenta agora silenciar?
Despertei do delírio, em suor e agonia,
Mas os ”diurnários” o sonho confirmaria.
Tentei alertar, mas ouvi o lamento:
"Cuidado, a prisão será o teu tormento!"
E o povo pergunta, em um só sentimento:
Quem salvará a Dona Justiça desse triste momento?
O alvo mudou e os feitiços viraram,
Os "diurnários" que o crime apoiaram,
Agora padece da mesma opressão,
Da tragédia prevista por sua omissão.
Gritam agora, vamos salvar a Dona Justiça,
A propina acabou, e não temos guarida.
Dona Justiça padece, mal pode respirar,
Enquanto o hipócrita tenta se limpar.
Sem as propinas que o bolso enchia,
Choram os "sujos" que a mentira servia.
Num arrependimento tardio e forçado,
Acusam o carrasco que antes foi aliado.
Porta-vozes do mal, manipulados e pagos,
Afogaram Dona Justiça em seus próprios lagos.
Mas surge o vilão, o mais sórdido enganador:
O "Sicarium Conducere", o mandante matador .
Dono do alheio, mimado e corrupto,
Alimentou o sistema com seu modo abrupto.
Roubou vidas e sonhos de quem acreditou,
Em festas e whiskies o lucro gastou.
Milionário cinismo, banhado em maldade,
Crendo na morte da Justiça e da dignidade.
Mas eis que surge o socorro urgente,
Um sopro do bem no caos presente.
A esperança renasce em pequena parcela,
De " Sicarium Conducere " a "mimadinho da cela".
A maldade se despe, nas entranhas de sua rede,
E a verdade sacia de quem tinha sede.
Mesmo com o crime exposto à nação,
Os algozes mantêm sua posição.
Quem os tirará? O "Senatus" ou a "Camerae"?
A esperança era grande, mas a força se esvai.
O rabo está preso na rede do mal,
E a ética morre em seu rito final.
Quero voltar a dormir, sonhar com o repouso,
Para ver a Justiça em seu pedestal majestoso.
O mimado agora, no cárcere, grita:
"Vou entregar todos!", a voz se agita.
Sem luxo, sem farras, sem o seu destilado,
O "mimadinho" agora se vê derrotado.
Que venha a delação, que a máscara caia,
E que a Dona Justiça do abismo saia.
Por Walter Figueiredo Fevereiro de 2026.
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