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Anjo Safado: Viagem e Trolagens

 

 

Antecipamos nossa viagem para visitar meu irmão. O plano era perfeito, digno de um consultor: sair antes para evitar a madrugada e a neblina traiçoeira da estrada. Escolhemos um hotel estrategicamente posicionado na metade do caminho, colado a um shopping. No aplicativo, as fotos eram dignas de revista, e o preço? Um "valuation" com desconto agressivo. Saímos felizes.

 

Mal pegamos a estrada e o Anjinho Safado já deu as caras. Ele adora um radar. Sabe aquele radar que surge do nada, escondido atrás das espessas árvores? Pois é. Pegadinha do malandro dos mandatários vorazes por nosso dinheiro. Fizemos as paradas de praxe para café e seguimos.

 

Às 18h, chegamos à cidade (cujo nome preservarei para não perder os amigos que moram lá). Cidade planejada, ruas largas, tudo lindo. Mas o Anjinho Safado já estava no lobby do hotel me esperando com um sorriso de orelha a orelha.

 

A Hora da Trolagem

No balcão do check-in, veio a primeira: — "Senhor, as garagens estão lotadas." — "Mas senhorita, o site dizia que tinha garagem!" — "Ah, senhor... veja aqui embaixo, no rodapé, (letras minúsculas, escritas em cinza claro sobre fundo branco): Sujeito à disponibilidade das estrelas."

 

Aí a ficha caiu. Lembra aquele desconto de 30% que achei maravilhoso no caminho? O Anjinho Safado sussurrou no meu ouvido: "Desconto, meu caro? Isso não é desconto, é taxa de risco!".

 

A segunda trolagem não demorou: — "Senhor, não temos cama de casal." — "Cuma?" — "O senhor reservou para uma pessoa." O estado de maravilha virou um estado de "e agora?". Mas, como bom brasileiro, que faz de um limão uma limonada, já comecei a procurar o açúcar...

 

O Quarto e o Banquete "Além-Mar"

O elevador subia rangendo como um trem fantasma. O Anjinho soprava: "Você verá o que preparei..., será uma experiência imersiva em esconderijos". Abrimos a porta. Móveis detonados, tudo bem velho, faltando cobertor e sabonete. Parecia mesmo um esconderijo de bandidos. Minha esposa, que sempre bem humorada, caiu na gargalhada. Agora eram dois.

 

Com fome, decidimos ir ao shopping ao lado. — "O shopping fecha às 18h", disse a recepcionista. — "O quêêê?" (O Anjinho Safado dava piruetas de alegria). Pedimos uma indicação de restaurante. Ela indicou um "rodízio de pizza. Segundo ela, era maravilhoso". GPS ligado e partiu. Chegamos ao local e... um self-service noturno? O público era composto por habitantes de origem além-mar, mulheres robustas que pareciam aguentar um "overbooking" gastronômico.

 

O garçom nos recebeu com uma estratégia militar: no buffet, o banquete começava com sushis duvidosos e leitoas. Os camarões? Ah, eles ficavam escondidos no final da fila, para quem já estava com o prato pesando dois quilos. Vi uma peça linda de Jamón, já com pedaços fatiados, que parecia promissor. Quando coloquei na boca... era um Tender de terceira categoria. Outra pegadinha do malandro!

 

Para selar o destino, pedi um vinho "especial da casa". O primeiro era terrível. O segundo, segundo o garçom, era "o melhor". O Anjinho Safado se escangalhou de rir: "Não disse que ia te surpreender?". Minha esposa parecia se juntar ao anjinho, só ria. A ficha caiu: o que esperar de uma indicação vinda de uma recepcionista de um hotel de quinta categoria? Olhei em volta: de um lado, sujeitos de olhos vermelhos; do outro, caras de poucos amigos. Pensei: "Tá na hora de picar a mula!".

 

O Resgate dos Anjinhos do Bem

Foi aí que os Anjinhos do Bem finalmente assumiram o controle da situação. Eles olharam para o Anjinho Safado e disseram: "Chega de bullying e trolagem!". Voltamos para o hotel e, milagrosamente, o chuveiro estava excelente. A água quente lavou a alma e a mágoa do Tender disfarçado de Jamón e do vinho carrancudo. O ar-condicionado funcionou sem parecer uma turbina de avião e caímos nos braços de Morfeu. No dia seguinte, o café da manhã estava honesto.

Preparamos o carro e rumamos para o destino. Na saída, ainda pude ouvir o Anjinho Safado, lá no fundo do pátio, gritando: "Volte sempre, meu caro! Temos boas ideias para sua próxima reserva!".

 

Resumindo, estamos vivos, e com histórias para contar.

 

 

Por Walter R. Figueiredo   abril/2026

 

"Que alegria ter sua companhia até a última linha! Espero genuinamente que esta leitura tenha ressoado em você. Deixe seu comentário no espaço abaixo — sua reflexão é fundamental para o meu constante amadurecimento como escritor."  

 

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WALTER FIGUEIREDO
Enviado por WALTER FIGUEIREDO em 03/05/2026
Alterado em 02/09/2026
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