Eco das Palavras
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Textos

As Vozes do Vapor Reverberam

 

Nosso Vapor da Cura não tem igual. Um pessoal diferenciado. Bem-humorado, alguns um tanto ranzinzas, outros reclamões — tem de tudo, mas "tutta bona gente". Como escritor, não podia deixar de registrar as mais inusitadas resenhas, porque não é em qualquer lugar que esses momentos preciosos acontecem. Felizes os sauneiros do Santa Rita.

 

Eu registro essas resenhas no site Eco das Palavras e, com o tempo, os amigos pediam um livro com a coletânea delas. E assim, aos poucos, o livro foi ganhando forma, culminando na publicação de "Vozes de Uma Sauna" — eternizando todas as resenhas vividas nesse ambiente.

 

Agradeço a cada amigo que faz parte do nosso grupo de sauneiros e que colaborou para que este livro fosse publicado. O ponto alto foi na noite de 3 de julho, com o lançamento oficial do livro. Foi um momento especial.

Como todo bom conselheiro, agradeço também ao nosso amigo Júlio, que sempre comentou e criticou cada crônica publicada no site.

E agora a farra continua.

 

Sunguinha Fruta Cor

🩳🍑Outro dia na sauna, me chega o Fanfarrão com uma sunguinha cavadinha que era um negócio tão estranho que até a sunga ficou constrangida. O modelo? Uma peça em tons pastel frutados que pareciam ter desistido no meio do caminho, tendendo a um salmão rosado — daquele que a gente só vê em foto de "mamá só yo" no Instagram de nutricionista. Eu pensei: "ok, foi um surto isolado, releva." Mas não é que o dito cujo resolveu repetir a dose? No outro dia, aparece com outra peça ainda mais duvidosa, e assim foi — uma mais apavorante que a outra. A cada sunga nova, a gente perdia um pouco mais a fé no bom gosto da humanidade.

Conclusão do conselho sauneiro: Fanfarrão só pode ter comprado o estoque inteiro de liquidação no Torra-Torra, a loja de grife dos desesperados, onde o caixa grita "NÃO ACEITAMOS TROCA" e você sai com doze sungas, zero dignidade e uma suspeita de conjuntivite. Fica o registro, e a sunga exposta, em algum varal do destino..

 

Inversão das Ordens Naturais

🔄😏Quarta-feira na sauna. O calor já deixava todo mundo num estado meio sonolento, quase filosófico, quando Fanfarrão resolveu abrir o coração — e olha que ali já estava tudo aberto por causa do calor. Ele soltou o verbo sobre suas tentativas frustradas em busca de uma nova alegria, de sair da tal monotonia que assola a alma. Confessou que tinha uma vontade louca de uma experiência diferente — daquelas que a gente pensa antes de dormir e acorda com vergonha de lembrar. Mas, foi aconselhado por sua amada, que com toda a sabedoria de quem conhece o parceiro, disse: "amor, deixa quieto, isso não vai dar certo." E ele, obediente, declinou. Ou pelo menos disse que declinou. Outros sauneiros também se abriram. Cada um com sua história inglória de tentativas que não foram pra frente — ou que foram, mas voltaram rápido demais. Mas não se enganem. Fanfarrão ainda está arquitetando. Ele bola estratégias. Ele traça planos. Ele quer, de todo jeito, chegar aos píncaros da glória. E pelos olhos dele, a glória não é um lugar — é uma posição. E ele não vai descansar enquanto não encontrá-la. Que os deuses da sauna tenham piedade.

 

O Espanhol  reclamou muito ultimamente.

🧐🔊O mestre dos investimentos, banco, corretagem, dólar e — pasmem — colchão. Especialista em sentir dor onde não dói. Sempre com aquele ar de quem tomou suco de limão sem açúcar antes do café da manhã: o mundo conspira contra ele. Não abre a mão nem que a vaca tussa. Aliás, nem pra dar "tchau" ele abre mão. Não há um dia — um só — que o mundo dê sossego para o nosso amigo. As reclamações são um evento à parte: da mulher que não limpou o coco do cachorro na calçada, da folha do vizinho que ousou cair no seu quintal, do gambá que invadiu a horta como se fosse casa da mãe Joana, e — claro — da própria sombra, que vive perseguindo ele. Não entra em bolão. Almoço? Deve ser só de graça. E deve toma café pela metade e sem açúcar — Será  que ele tomar banho de canequinha.

Chegou esses dias com uma reclamação tão magistral, tão afinada nos detalhes, que o Portuga subiu nas tamancas e soltou o veredito:— "Espanhol, morar em condomínio tem que respeitar as leis do condomínio!" Para não estender, o Espanhol ficou com o sangue nos olhos, o coração batendo a 300 km/h, parecia que ia dar um treco. Foi tão tenso que Valmor Chagas e Fanfarrão deram  as mãos unindo em oração brava — daquela que se reza baixinho mas com vontade — para expulsar o capiroto do ambiente. Ninguém sabe de onde veio. Mas funcionou. Aos poucos, as coisas foram se acalmando. O clima voltou, o suor voltou, a paz voltou. 

Espanhol é gente boa, digno e amigo. Daqueles que a gente sabe que vale ouro. — Imagina nossa sauna sem o espanhol? Ia faltar uma peça no quebra-cabeça. Ia faltar o sal na pipoca. Ia faltar a reclamação das 16h37 que todo mundo já espera. Só um pedido: cuidado com o coração, espanhol. Ele aguenta o tranco, mas reclamação também cansa o músculo. E que a sauna continue sendo esse palco sagrado de personagens únicos.

 

Japa Made in Taiwan 🇹🇼🧖‍♂️

Esse Japa MT é mais esperto do que se imagina. Enquanto a gente sua na sauna reclamando da vida, ele está lá, estratégico, montando jogadas de mestre com a paciência de quem espera o pão ficar pronto.

Descobriu o poder da rede relacional — coisa fina — e tratou de arregimentar um batalhão de casais para um turismo na China. O resultado? Só nos fez passar vontade com as fotos. Lugares magníficos. Hotéis que parecem palácios. Restaurantes com cardápios que dão água na boca.

Japa MT, meu amigo, vamos fazer uma coisa: bolar uma estratégia reversa. Quem sabe a irmandade do vapor não embarca também nesse passeio magnífico? E, já que estamos nessa, explorar outros vapores pelo mundo afora — porque sauna é que nem batata frita, uma nunca é suficiente.

Bota a network pra funcionar de novo! ✈️🌏🫖

 

O Radialista 🎙️⚽🚨

Não adianta querer discutir futebol perto dele. Se você falar besteira, ela vai te dar um cartão vermelho — e não adianta reclamar com o juiz, porque o juiz é ele.

Outro dia, alguém soltou a pérola: "Nunca teve uma Copa em que um time do Brasil fosse tão ruim como essa copa de 2026..." Antes de terminar a frase, o Radialista já tinha virado o pescoço, ajustado o microfone imaginário e disparado:

— "A Copa de 90 foi tão ruim quanto essa, meu filho. E olha que eu tava lá. "

Silêncio. Respeito. Constatação geral: o cara não é fraco. A memória dele é um arquivo vivo, indexado, com backup em nuvem e atualização automática.

O pior é que ele não perdoa. Não dá desconto. Não deixa passar uma. Você fala uma bobagem sobre futebol e ele já te corrige com a precisão de um locutor esportivo narrando gol aos 45 do segundo tempo.

Eu? Eu nem me atrevo a dar palpite. Fico na minha, calado, olhando pro chão, torcendo pra ele não me perguntar nada. 😅

 

O Psicólogo 🧠🕵️‍♂️

Ele é discreto. Daqueles que chegam na sauna sem alarde, sentam num canto e começam a operar. Fala de suas franquias como quem não quer nada, mas enquanto conversa, vai fazendo um mapeamento psicológico completo de cada alma penada ali dentro.

Com sua perspicácia afiada, vai soltando as observações na ponta do garfo: um comentário ali, uma cutucada aqui, um silêncio estratégico acolá — pontuando cada fala captada como quem joga xadrez com a mente alheia. Você sai do banho de vapor com a sensação de que foi analisado, fichado, diagnosticado e catalogado.

E não para por aí. O homem também é fera na economia. Dá seus palpites nos investimentos financeiros com a mesma segurança que lê a alma dos outros. Já viu a carteira do amigo antes mesmo de ele abrir a boca.

Espanhol que se cuide. Porque se o Psicólogo começar a analisar o orçamento dele junto com a psique, vai descobrir onde estão as economias, as reservas ocultas e — quem sabe — o mistério do café pela metade e sem açúcar.

O Psicólogo vê tudo. Ele só não conta. Ou conta? 🧐

 

Niver Frustrado

🎂💔Fanfarrão programou seu aniversário com tanta antecedência que já tinha até ensaiado o discurso de agradecimento. Já dizendo o que deveria acontecer, quem deveria falar, que horas cortar o bolo — o homem é um produtor de eventos. Mas eis que o destino, que adora uma piada de mau gosto, resolveu agir. A cadelinha dele — aquela que dorme na cama entre ele e sua amada, — teve um piripaque. Daqueles de lamber o chão e virar os olhos. Pronto: emergência veterinária. Fanfarrão, sem pestanejar, ligou com a voz embargada — daquelas que a gente já sabe que vem choro — e cancelou o tão sonhado evento. O motivo? Os altos custos com o veterinário. Era caro demais. O sonho ficou pra depois com o bolo?

Confabulando com a irmandade na sauna, o pessoal achou muito mimimi. Um marmanjão daquele, na flor da muxibada, cancelar o próprio niver por causa de um bichano? O CEO do Agro já desconfiou: "A conta não fecha. Como assim não ter aniversário por causa de uma cadelinha? Tem caroço nesse angu. Pode ser treta velada." Mas aí veio o plot twist que ninguém esperava. Algo que desafia a ordem natural das coisas, que faria um padre duvidar da fé: O Espanhol disse que, se fizesse uma vaquinha, ele doaria R$ 100,00 pra ajudar a pagar o veterinário. Silêncio. Perplexidade. Suaram no caldeirão. O Espanhol? ABRIU A BURRA? Gente, o mesmo Espanhol que não abre mão nem pra dar tchau. O Espanhol botou a mão no bolso e tirou cem conto? Teve sauneiro que quase desmaiou. Teve quem pedisse pra repetir. Teve quem checasse se o sol tinha nascido do lado certo. Mas não demorou muito. O Espanhol se arrependeu. — "Pera, foi mal, falei sem pensar, dá pra desfazer a vaquinha?" — mas já era tarde. A ficha já tinha caído. O feito estava feito. O milagre estava registrado.

Mas todavia, no entanto, o niver do Fafarra ainda tinha uma sombra de esperança, apesar de tudo, o escape veio da fazenda do Zé Boiadeiro, que acolherá a irmandade pra mais uma comemoração do niver do Fanfarrão. Só esperamos que ele não haja como o Italiano, que simplesmente não foi no próprio aniversário. Até hoje ninguém entende. As portas do aconchego do Zé Boiadeiro estão abertas. Lá tem:

Sauna (óbvio)

Leite ao pé da vaca,

Frango caipira,

Leitão,

e um tal de Zé Gordinho — figura que já está virando folclórica, daquelas que merece uma crônica só pra ele.

Que venha mais um ano de histórias. E que a cadelinha do Fanfarrão fique boa. E que o Espanhol não se arrependa de novo

 

 

                Por Walter Figueiredo julho de 2026.

 

"Que alegria ter sua companhia até a última linha! Espero genuinamente que esta leitura tenha ressoado em você. Deixe seu comentário no espaço abaixo — sua reflexão é fundamental para o meu constante amadurecimento como escritor."

 

WALTER FIGUEIREDO
Enviado por WALTER FIGUEIREDO em 18/07/2026
Alterado em 02/09/2026
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