Eco das Palavras
Valores Eternos
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

A Galinhada dos Deuses

 

Quinta-feira ensolarada. Não uma quinta qualquer, não senhor — uma quinta de cinema, daquelas que o próprio Sol acordou cedo, se arrumou, e disse: hoje é dia de galinhada! E a irmandade da sauna, fiel ao chamado, partiu rumo ao sítio do Zé Boiadeiro. Saímos eu, o nosso amigo Indiana Jones — o senhor elétrico, o homem que faz o fio cantar — e o radialista, a voz que ecoa. Ao Indiana, nossa eterna gratidão pela carona. Uau, que carona! Nem o Uber mais premium do planeta entregaria tanto estilo.

 

Chegamos. E o Zé Boiadeiro, com a pompa de um imperador recebendo a corte, nos apresentou a sua sauna — uma obra-prima da engenharia do bem-estar — com uma ducha das águas frescas que descem da serra. Águas que, juro, já nasceram geladas. E antes mesmo de sentarmos, já fomos agraciados com seus patês, servidos num pão digno dos mestres dos mestres dos padeiros. Uau! Aquele pão era tão leve que quase flutuava.

 

A cozinha era o chamado. O aroma, uma sinfonia. Passamos para uma conferida de perto — só pra sentir, só pra ver — e aquilo, de imediato, abriu o nosso apetite com uma força de abrir até o apetite de quem já tinha comido.

E ali estava o Zé Gordinho, com a mão na massa, numa conexão quase transcendental, preparando o quiabo, ele capitara o sinal da minha mente antes mesmo de eu pensar. Eu olhei, ele olhou, e já foi falando, o quiabo é al dente. Uau! Telepatia culinária!

 

Primeiro, a salada. Um tomate vermelho vivo, partido em rodelas tão bem dimensionadas que pareciam feitas a compasso, compondo um prato que saltava aos olhos — e saltava mesmo, era um espetáculo. Rodeado de cebolas picadas, crocantes, que nos fazem chorar de alegria — e de emoção, porque a gente sabia o que estava por vir. Não era um simples tomate. Era uma fruta que me remetia à casa de dona Rosa, com seu cigarro de palha atrás da orelha, bondosa e generosa, que nos deixava saborear tomates de sua cerca, salpicados de sal das salinas do arraial. Uau, dona Rosa, onde estiver, que Deus a abençoe!

 

Depois, uma linda couve. Verde vivo, tão viva que parecia que ia pular do prato e correr de volta pra horta. Uma couve tão viçosa que só podia ter sido colhida naquelas horas — colhida, lavada, cortada e refogada num piscar de olhos. E o chefe, com esmero de artista, a faca bem afiada deslizando sobre suas imensas folhas, como quem sussurra: vou apenas fatiá-las, minha querida, para melhor te acomodar nesta frigideira tão amiga e especial, que vai te abraçar com carinho no calor da refoga. Uau! Até a couve se emocionou!

 

Ahhh! Agora, o galináceo. O momento mais aguardado. Este frango, ao tocar minhas papilas gustativas, fez um filme passar em minha mente — um filme de época, com direito a trilha sonora. Eu me vi na casa da vovó Lilica, ouvindo ela dizer ao Tonico: pegue esse tenro franguinho faceiro, alimentado por milho gourmet trazido do sítio de dona Didi, traga-o que vou prepará-lo para o meu netinho sonequinha. Uau... UAU! Chorei, confesso. Lágrimas de frango.

 

E este frango não estava só. Não, senhor. Vinha acompanhado de uma bela raiz tuberosa, aquela cantada em verso e prosa — a macaxeira, mandioca para os íntimos. Muito bem preparada pelos seus mestres cozinheiros. Mas aqui, meus amigos, há uma ressalva digna de novela. Para esse encanto chegar até nossos recipientes contemplativos e operantes, houve uma romântica história. Logo nas primeiras horas matinais, Zé Boiadeiro deu ordens ao seu admirável, prestativo e disposto cunhado, para que arrancasse da robusta horta uma porção generosa dessas belas mandiocas. Mas o destino, traiçoeiro, quis que naquele dia a disposição do sujeito não estivesse favorável. Por um descuido, ele não pegou o montante do padrão de qualidade exigido por Boiadeiro. E o coitado, por pouco, não recebeu uma digna massagem com cânticos angelicais da mais sofisticada psicologia. Uau! Quase que o cunhado virava anjo antes da hora!

 

Chegou o momento sublime. A hora da verdade. Como num momento mágico, cada um olhava para o seu prato revirando os olhos — revirava tanto que quase via o próprio cérebro. Aquela combinação dos deuses estava ali, diante de todos, contemplativos, deslizando sobre as nuvens do aroma que arrebatava qualquer mortal. Uau! Se fosse pecado, eu pecava de novo, sem arrependimento!

 

Não demorou muito, uma lombeira se fez presente. Ainda extasiado, com uma sonolência do além, uma voz ecoou: só falta agora uma rede. Ahhh! E não é que ela apareceu? Como num passe de mágica! Ao buscar os ganchos para aprontar a minha rede, observei que, ao lado, um robusto corpo já na horizontal assoviava notas do além em outra rede. Uau! Aquele homem não perdeu tempo!

 

Caí na rede já pestanejando. Morfeu, nem se deu ao trabalho de me buscar — eu fui sozinho. Um sono embalado, ouvindo ao fundo risadas de contos, mentiras e mentirinhas. Tudo valia. Uau, que vida!

 

Fui acordado com um estrondo. Ao olhar, bem ao meu lado, aquele sujeito robusto rolou da rede e, já em posição de joelhos, erguia uma prece aos altos céus, invocando as hostes celestiais para que as miríades angelicais, numa dádiva divina, o levantassem. Uau! A fé do sujeito foi aprovada! Em menos de cinco minutos, ele já estava quase de pé! Milagre! Testemunhei um milagre! Se aquilo não era a mão de Deus, eu não sei o que é!

 

Chegou o momento de nos despedirmos. E, como se não bastasse tanta felicidade, fomos presenteados com os deliciosos pães. Uau! Saímos de lá com o coração cheio, a barriga cheia e os braços carregados.

E assim se foi mais um belo encontro de amigos.

 

Uau!!! Que venha o próximo!

 

 

                   De Walter R. Figueiredo  agosto de 2026

 

 

"Que alegria ter sua companhia até a última linha! Espero genuinamente que esta leitura tenha ressoado em você. Deixe seu comentário no espaço abaixo — sua reflexão é fundamental para o meu constante amadurecimento como escritor."

 

WALTER FIGUEIREDO
Enviado por WALTER FIGUEIREDO em 08/08/2026
Alterado em 02/09/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários

Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links