A Música Como Influência: Prazer, Perigo e Discernimento
Introdução: O Ritmo da Vida e Seus Desafios
"Após presenciar o confronto com uma pessoa em surto espiritual, que relatou sofrer influências negativas da música do estilo Heavy Metal, senti a necessidade de investigar a fundo como as frequências e estilos musicais podem moldar o comportamento e o bem-estar humano."
Em nossa jornada, especialmente durante a juventude, somos confrontados com escolhas que moldam nosso futuro. Enquanto as drogas ilícitas são reconhecidas como caminhos para a autodestruição, raramente dedicamos a mesma atenção a outras influências que, de forma mais sutil, podem guiar nossos pensamentos e atitudes. Entre elas, a música emerge como um protagonista poderoso.
Lembro-me do meu tempo de estudante, quando a maconha e certos gêneros musicais, como o rock, ocupavam um lugar de destaque em discussões e convivências. O que mais me chamava a atenção era a diferença nas reações: alguns que fumavam maconha pareciam mais calmos; já aqueles que se entregavam ao rock muitas vezes exibiam uma agressividade notável.
Hoje, ao observar reportagens sobre a violência em saídas de bailes funk, ou ao revisitar histórias como as de Charles Manson e o assassinato de John Lennon, e tantos outros atos bárbaros onde a música estava presente, uma pergunta inevitável surge: Que "droga" é essa que estamos ouvindo? Qual é a verdadeira proposta dessas canções?
Heavy Metal e a Estética e o Som
O termo Heavy Metal refere-se a um gênero de rock que surgiu entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70, caracterizado por guitarras com distorção pesada, solos extensos, batidas de bateria vigorosas e um som geral mais denso e volumoso.
Se você está aprofundando seus estudos sobre a influência desse estilo na vida das pessoas, aqui estão alguns pontos interessantes para análise:
1 - O gênero utiliza frequentemente o chamado trígono (ou diabolus in musica), um intervalo musical que, durante séculos, foi evitado na música ocidental por causar uma sensação de tensão, dissonância e inquietação. No Metal, essa "tensão" é usada propositalmente para criar uma atmosfera sombria ou poderosa.
2 - Temáticas Recorrentes. As letras variam muito, mas é comum encontrar temas como:
Mitologia e História: Referências a deuses antigos, batalhas e figuras históricas.
Crítica Social e Política: Questionamentos sobre o sistema, a guerra e a corrupção.
O Oculto e o Transgressor: O uso de símbolos que desafiam normas religiosas, muitas vezes u
3 - Impacto Psicológico (O que dizem os estudos). Existem pesquisas acadêmicas contemporâneas que trazem perspectivas curiosas sobre o gênero:
Catarse: Para muitos ouvintes, o som agressivo serve como uma válvula de escape para o estresse e a raiva, resultando em um efeito calmante após a audição.
Comunidade: O "Metalhead" costuma ter um forte sentido de pertencimento a um grupo, o que pode fortalecer a identidade pessoal.
Sugestionabilidade: Por outro lado, estuda-se como letras intensas e ritmos frenéticos podem afetar pessoas com predisposições emocionais específicas, dependendo da interpretação que cada indivíduo dá à obra.
Algumas Música: Podem ser uma "Droga" para a Alma?
Durante anos, ouvi discussões sobre a possível ligação de certos grupos de rock com o ocultismo e mensagens "dedicadas ao Demônio". Confesso que, por muito tempo, considerei isso mera controvérsia, talvez uma tentativa sem fundamento de combater a preferência juvenil. No entanto, o volume e a consistência das informações, vindo de diversas fontes e autores como Win Malgon, Jefferson Costa, Claudionor de Andrade, Gilberto Moreira e Geremias do Couto, e Bob Larson, me forçaram a uma análise mais séria. Todos eram categóricos em apontar a existência de mensagens ocultas, especialmente no rock, que levariam jovens à autodestruição. Como uma música pode, de fato, influenciar alguém a ponto de induzir à violência?
Xavier Vatin: Em seus estudos sobre etnomusicologia e rituais de possessão (como em "Música e Possessão"), ele discute como ritmos específicos podem desencadear estados alterados de consciência. Embora ele foque em contextos religiosos tradicionais (como o Candomblé), a lógica de que a música atua como um "gatilho" biológico e simbólico para o transe é aplicável.
Rouget (1985): No livro clássico "Música e Transe", Gilbert Rouget argumenta que a música não causa o transe diretamente por suas propriedades físicas, mas fornece o suporte cultural e emocional para que o indivíduo entre nesse estado.
Mast & McAndrew (2011): Sugerem que letras com conteúdo explicitamente violento podem aumentar pensamentos hostis em curto prazo em ambientes controlados (laboratório).
A Essência da Música: Entre a Emoção e a Persuasão
A música, em sua essência, reside na harmonia e no ritmo. Sons consonantes produzem sensações agradáveis, enquanto os dissonantes podem gerar tensão e desconforto. A escolha do tom — maior para alegria, menor para melancolia (como explorado por Stravinsky e Debussy) — pode vibrar em nosso coração e alma, evocando profundas emoções. É essa capacidade de tocar a alma que torna a música tão poderosa, mas também tão vulnerável à manipulação.
A Sutileza da Influência: Mente e Inconsciente
A década de 60 foi um período de grandes transformações. Enquanto a brutalidade da Guerra do Vietnã chocava o mundo, o movimento hippie surgia com a mensagem de "faça amor, não faça guerra", pregando o amor livre e o uso de substâncias psicoativas como o LSD para "viagens" de autoconhecimento. Paradoxicamente, essa mesma época testemunhou a trágica morte por overdose de ícones como Jimi Hendrix e Janis Joplin, evidenciando o perigo por trás de certas "liberações".
Lembro-me de uma música de Alan Parsons Project (a faixa em questão era do álbum "Eve"). Tornei-me quase viciado em ouvi-la diariamente. Certa vez, sem acesso à música, senti um incômodo profundo. Ao final da canção, eu "viajava" como se estivesse fora do corpo, mas ao retornar, sentia um pavor, como em um filme de terror. Quando finalmente descobri o nome da música, "Lúcifer", a revelação foi impactante. Essa experiência somada a do Lucio, que já contei anteriormente, me confirmou que a música, de fato, pode provocar tanto danos quanto benefícios profundos ao ser humano.
Ecos da Música na Realidade: Da Babilônia Antiga aos Dias Atuais
A Bíblia nos oferece relatos históricos sobre a música e seu uso para propósitos de adoração, tanto divina quanto idólatra. No livro de Daniel (3:6-7), o Rei Nabucodonosor ordena que todos adorem uma estátua de ouro ao som de diversos instrumentos. Aqueles que o faziam se comprometiam com um ato de idolatria, exceto Mesaque, Sadraque e Abedenego, que se recusaram e foram preservados.
Essa narrativa ressoa em nossos dias. Jovens que se recusam a se curvar aos "ídolos" da "Babilônia moderna" (modismos, padrões de comportamento, etc.) são frequentemente marginalizados e até lançados na "fornalha" do preconceito e da perseguição. Contudo, assim como os três jovens hebreus, aqueles que permanecem firmes em seus princípios encontram vitória através do Eterno.
A Tragédia de Charles Manson e a Distorção de "Helter Skelter"
No bairro de Hollywood, uma tragédia abalou o mundo: o assassinato brutal de Sharon Tate (esposa grávida do diretor Roman Polanski) e seus convidados. As investigações levaram a Charles Manson e seus seguidores da "Família Manson". O mais chocante foi a naturalidade com que Manson e seu bando justificavam seus atos como uma forma de "libertar" suas vítimas de uma "vida-prisão".
Nos pertences da seita, foram encontrados diversos discos dos Beatles. Para Charles Manson, as músicas do "Álbum Branco", em particular "Helter Skelter", eram profecias secretas que o chamavam para iniciar uma guerra racial apocalíptica. Manson e sua "Família" acreditavam estar implantando o "Helter Skelter" – a "última guerra na Terra" – através de assassinatos ritualísticos.
Quando Manson e seu grupo foram presos, os EUA despertaram para uma dura realidade: a influência de uma doutrina de rebeldia, rock, "viagens" psicodélicas, rejeição à família, ao trabalho e a Deus já estava profundamente enraizada na alma de muitos jovens. Os fatos sobre Manson, fielmente relatados no livro "Retrato de um Crime Repugnante" de Vincent Bugliosi, promotor do caso, são um testemunho sombrio do poder da influência e da deturpação de mensagens. O fato de muitos "amantes do rock" da época empunharem bandeiras e frases como "LIBERTEM MANSON!" após sua prisão é um lembrete arrepiante de como a idolatria de figuras pode cegar para a verdade e a moralidade.
Podemos citar também o trágico assassinato de John Lennon, cujo assassino, Mark Chapman, afirmou ter "libertado" seu ídolo, em uma interpretação distorcida das mensagens que ele acreditava vir da música de Lennon.
No Brasil, os reflexos desses fenômenos musicais globais também foram sentidos, como nos bailes Funk, muitas vezes associados à violência, e em assassinatos de pais por filhos. Em diversas cidades, como São José dos Campos, Campinas, Porto Alegre, São Paulo e Camboriú, casos de assassinatos sem explicações claras, ou com características rituais macabras, frequentemente tiveram a música como um pano de fundo presente.
No caso de Lucio, personagem real da minha crônica 'De Frente para o Capiroto', a transformação não ocorreu de forma súbita. Foi, antes, o resultado de uma exposição prolongada: uma lenta sedimentação de mensagens e frequências que sua mente absorveu ao longo de anos, por meio da música que ele consumia habitualmente.
Louvor Consciente
Como cristão, somos chamados a agradar a Deus. A vida cristã implica uma transformação completa, que abrange sentimentos, motivações e atitudes, resultando em uma "nova criatura" (2 Coríntios 5:17). Davi, no Salmo 40:2-3, descreve essa transformação ao afirmar: "e pôs um novo cântico na minha boca."
Aqui reside o cerne de tudo: até mesmo nosso cântico se modifica após a conversão. Surge uma nova perspectiva sobre a vida, e o louvor se torna a expressão dos novos sentimentos de nossa alma para com Deus. Paulo classifica isso como "cântico espiritual", uma dimensão que transcende a vulgaridade e a superficialidade de muitos "hinos" apresentados em algumas reuniões.
Reflitamos: Temos procurado agradar a Deus com o nosso louvor, ou buscamos a exaltação humana? As músicas que entoam em cultos cristãos contribui para trazer a glória do Senhor ao ambiente, ou motiva outros sentimentos? Há batidas exageradas que conduzem à excitação do corpo, ou o ritmo reflete equilíbrio com a harmonia e a melodia? Os instrumentos que acompanham o cântico estão no volume máximo, impedindo-nos de sentir a beleza da música e a mensagem da letra? Essas composições revelam um conteúdo teológico correto ou são um amontoado de expressões vulgares e sem significado?
Se os pais perceberem alguma diferença no comportamento de seus filhos, procure saber sobre as musicas que estão ouvindo e também as amizades envolvidas. Não os proíbam, mas ouçam junto a eles e procurem esclarecer o que a música quer transmitir. Proibir é criar uma barreira para o diálogo, neste momento a principal ferramenta é o diálogo.
Conclusão: Discernimento
Não podemos generalizar, afirmando que qualquer música secular é prejudicial. Eu mesmo aprecio diversos gêneros musicais, como rock progressivo, blues, samba-canção e pop em geral. A questão central não é o gênero, mas sim o discernimento. Precisamos estar atentos às melodias e, principalmente, às mensagens contidas nas letras, pois nossos amigos, parentes e filhos podem estar embarcando em "canoas furadas" sem perceber. É fundamental que avaliemos criticamente o que ouvimos e cantamos.
A boa escolha, em última instância, cabe a cada um de nós.
"O que motivou a escrever essa pesquisa foi a experiência que tive com Lucio". Compartilho os detalhes dessa pesquisa no link abaixo."
Estudo feito por Walter R. de Figueiredo. São José dos Campos, 05 de Maio de 1995.
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